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O Festival de Teatro de Americana está de volta. Queremos saber o que isso representa para você

 
 
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FÁBRICA RECEBE EM MAIO, CARTAS DO PARAISO
21/04/2010 - 19:04 hrs

Conhecida no meio teatral americanense pela premiada montagem "Primus", vencedora do V Festival de Teatro de Americana, a Boa Companhia, de Campinas, estará na cidade para apresentar seu mais recente trabalho, o espetáculo "Cartas do Paraíso", criado a partir dos relatos de jesuítas e viajantes no início da colonização. As apresentações acontecem no Fábrica das Artes - Rua Dr. Cícero Jones 146 – Vila Rehder, nos dias 08 e 09 de maio, sábado e domingo às 20 horas. A entrada é gratuita e s Ingressos para ver o espetáculo serão distribuídos exclusivamente pelo Fábrica das Artes, nos dias de apresentações, a partir das 19 horas.

Cartas do Paraíso que é patrocinado pelo Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz, tem como material dramatúrgico cartas escritas por jesuítas, exploradores e viajantes nos primeiros tempos nesta Terra de Santa Cruz, Pindorama ou mítica Hi-Brasil, nesta que foi a "primeira aventura globalizante da humanidade". A radical diferença entre as duas visões de mundo foi o ponto de partida para a criação de uma poética luso-tropicalista, pautada na mestiçagem, no encontro e no confronto de imaginários tão ricos: o do Portugal renascentista e mercantilista e a cultura indígena brasileira, sendo ela mesma extremamente múltipla.

Segundo Verônica Fabrini, diretora do espetáculo, Cartas do Paraíso dá prosseguimento à pesquisa de linguagem que a companhia vem desenvolvendo ao longo de sua trajetória. "O processo de encenação parte do trabalho do ator e se nutre de elementos de outras artes cênicas como a dança, música e performance e agora buscando um diálogo maior com outras mídias áudio visuais" disse Verônica.

Nas primeiras cartas de jesuítas e viajantes, a terra nova é comparável a um paraíso na Terra (quiçá o próprio paraíso), o que, no imaginário cristão, evoca tensões. "Apoiados em pesquisas bibliográficas, iconográficas e sonoras, procuramos construir uma encenação partindo dessas imagens, mas que não busque nenhuma reconstrução histórica. Interessa-nos acompanhar as metamorfoses da idéia de Paraíso projetada pelo imaginário europeu na terra de Pindorama (Terra de Santa Cruz) e buscar a reverberação disso na construção de uma singularidade brasileira, acelerando no tempo, atravessando o movimento modernista (bradando tupi or not tupi!), o tropicalismo ( aqui é o fim do mundo, de Torquatro Neto) até desembocarmos na complexidade atual da crise ambiental, da crise ética, neste cenário pré-apocalíptico de um mundo globalizado e bárbaro", revela Fabrini.

SINOPSE

Acima da Linha do Equador, homens desafiam o mar tenebroso em busca de novos caminhos, de nova terras, quem sabe, um Paraíso.

Abaixo da linha do Equador, outros homens dançam até seus corpos se tornarem leves e serem levados pelo vento, acima e além das grandes águas para alguma terra sem males, quem sabe, um Paraíso.

Na linha branca de areia, começo de um caminhar, pra beira de outro lugar, esses homens se encontram, devoram-se, transformam-se uns nos outros, amalgamados, mestiços, amedrontados e pasmos diante da morte.

A bordo das canoas com asas viajam um degredado, um padre, um jovem cartógrafo, um bufão. Na praia, os aguardam xamãs e guerreiros. na iminência de um apocalipse dois imaginários se encontram e se perguntam: alguém sabe onde fica o paraíso?

FICHA TÉCNICA
Atuação: Alexandre Caetano, Eduardo Osorio, Gustavo Valezi e Moacir Ferraz
Direção: Verônica Fabrini
Direção Musical e trilha sonora: Silas Oliveira
Preparador Corporal: Rafael Barzagli Oliveira
Iluminação: Cláudia Echenique
Figurino: Guilherme Guedes
Designer gráfico e fotos: Alexandre Caetano e Gustavo Valezi
Técnico luz: Cláudia Echenique
Técnico som: Marcelo Luis dos Santos
Produção: Cassiane Tomilhero e Boa Companhia

Fonte:
Fábrica das Artes